Importância e Indicações em Medicina Nuclear

 

A contribuição da medicina nuclear para a avaliação do paciente é muito importante, sendo o único método de diagnóstico por imagem que fornece informações funcionais.

Pontos Chave

1. Quais são as indicações e contra-indicações?

2. Como adequar a indicação da MN à prática clínica diária?

3. Aplicações terapêuticas mais importantes da MN.

A medicina Nuclear difere dos demais métodos da radiologia convencional em muitos aspectos, como a utilização de radionuclídeos, ao invés de raios-X. Permite avaliar o aspecto anátomo-funcional do órgão de interesse. Pode ser utilizada para terapia de alguns tipos de câncer e em doença metastática. Como tal, é um método complementar a outras modalidades de diagnóstico.

Outros métodos, como a tomografia computadorizada (TC) e a resonância magnética (RM) produzem imagens com alta resolução espacial e contraste que permitem examinar o aspecto anatômico em grande detalhe. Entretanto, não permitem avaliar a função/fisiopatologia de um órgão em particular. Em outras palavras, é possível ver como um órgão ou parte do corpo se compõe, mas não é possível apontar com precisão como ele está funcionando.

A força da medicina nuclear baseia-se na sua capacidade de mostrar o estado funcional de determinado órgão ou sistema. Sua limitação ainda é a falta de uma resolução espacial comparável aos métodos radiológicos. Apesar dos avanços tecnológicos recentes (SPECT/SPECT-PET), esta é uma dificuldade a ser vencida. Muitas vezes, a medicina nuclear determina a região em que existe uma anormalidade. Mas a localização específica da anormalidade pode estar dificultada em algumas situações.

É através da utilização de radiotraçadores/radiofármacos que a medicina nuclear descreve a função de determinado órgão. Radiotraçadores são moléculas que seguem o curso de outras moléculas semelhantes. O radiotraçador age como uma substância natural captada, produzida ou secretada por um órgão alvo, portanto, não interfere com a fisiologia normal deste órgão estudado.

Quando se obtêm imagens de um radiotraçador num corpo, a imagem reflete ambos, a distribuição natural e a anormal do radiotraçador neste corpo.

Qualquer modificação da fisiologia normal ou da natomia do órgão alvo, se presente, será detectada. Por exemplo, a molécula determinada de pertecnetato 99m Tc (tecnécio) que no corpo, se comporta como o iodo (iodeto). Quando administrado no paciente, esta molécula/radiotraçadora, é sequestrada pela tireóide, assim como o iodeto. Também, a glândula tireóide irá utilizar o pertecnetato-99mTc, o radiotraçador, de maneira igual ou semelhante ao iodeto. Através da medicina nuclear é possível dizer onde o tecido tireoideano se localiza e, é possível verificar se as células tireoideanas são normais, captam ou não o iodeto, mimetizando a fisiologia normal.

Ao contrário dos estudos radiológicos convencionais, a medicina nuclear visualiza o corpo/ órgão alvo de dentro para fora. A medicina nuclear consiste em administrar para um paciente um radiotraçador, no qual está acoplado um elemento radioativo. Informações diagnósticas são obtidas a partir da observação da distribuição do material radioativo pelo corpo, no tempo e no espaço. Nem todos os elementos radioativos disponíveis na natureza podem ser utilizados na medicina nuclear. Parâmetros que determinam quais radionuclídeos específicos possam ser utilizados para fins médicos incluem a meia-vida, o tipo de radiação produzida e a energia emitida por esta radiação.

  • Os radionuclídeos utilizados pela medicina nuclear incluem: Iodo (I 131 I 123) - Indio111 - Gálio67 - Tecnécio99m - Tálio201 - Samário157

Destes, o mais utilizado é o tecnécio. Os tipos de radiação mais úteis na medicina nuclear são os do tipo gama e beta. Os elementos radioativos que emitem partículas beta são utilizados para fins terapêuticos. A terapia representa uma porção menor, mas muito importante desta especialidade. A maior porção da medicina nuclear apresenta finalidade diagnóstica e se baseia na utilização de radionuclídeos emissores de partículas gama. Raios gama diferem dos raios-X por virem de diferentes fontes. Raios-X são gerados a partir de interações de elétrons. Raios gama vêm do núcleo deum átomo. Os raios gama são produzidos quando um núcleo instável transita para um estado mais estável. Como os raios gama atravessam o corpo, uma câmara (gama câmara ou câmara de cintilação) é posicionada próxima ao paciente, coleta os raios gama e os convertem em forma de imagem. Em outras palavras, a imagem obtida por raios-X são imagens de transmissão, onde os raios-X gerados por uma fonte externa (tubo de raios-X) atravessam os tecidos do paciente e produzem uma imagem. Cada imagem adicional requer uma exposição adicional de radiação. Imagens de medicina nuclear são de emissão nos quais a fonte de radiação reside dentro do paciente. Raios gama são emitidos do radionuclídeo administrado e concentrado no corpo/órgão alvo, atravessam o corpo e são captados pela gama câmara. Imagens por emissão requerem tempo e imagens adicionais não necessitam de doses extras, mas de maior tempo de aquisição.

Elementos radioativos que apresentam propriedades de imagem desejáveis podem ser transformados em radiofármacos. Isto é feito através do acoplamento/ligação do radionuclídeo e vários compostos que se assemelham aos compostos naturais encontrados no corpo. Por exemplo, radiotraçadores utilizados para estudar:

  • Os ossos mimetizam o fosfato;
  • Os de vias biliares mimetizam a bilirrubina;
  • O coração mimetizam o potássio (bomba de sódio-potássio) e,
  • Os do rim mimetizam a inulina.

Radiofármacos como outras drogas não-radioativas, são excretados através dos tratos gastro-intestinal e genito-urinário ou outros fluidos corpóreos. Reações adversas aos radiofármacos são extremamente raras e muito menos comuns do que as reações aos contrastes iodados utilizados na TC.

Contra-Indicações

Como na medicina nuclear a radiação é emitida de dentro do paciente, os estudo não é aconselhável em pacientes gestantes. Nos estudos com raios-X, o feto pode ser protegido da radiação colocando-se blindagens de chumbo sobre o abdomen da gestante. Isto não é possível na medicina nuclear, pois não se pode controlar o radiofármaco da corrente sangüínea. Portanto, aconselha-se protelar o exame para após o término da gestação.

Lactantes apresentam problema semelhante pois alguns tipos de radiofármacos apresentam excreção no leite materno. É aconselhável, nestes casos, suspender a lactação por um certo tempo, após a realização do exame. O tempo é determinado pela meia-vida do elemento radioativo.

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